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id da página: 3147 Vedanta – Elliot Deutsch – Níveis de Ser

Deutsch Niveis Ser

ser
Vedanta – Elliot Deutsch – Níveis de Ser


DEUTSCH, E. Qu’est-ce que l’Advaita vedānta ? S. Girard. Paris: Les Deux Océans, 1980

  • Os três níveis de ser

    • Definição da Realidade como aquilo que nenhuma outra experiência pode subvalorar
    • Definição da Aparência como aquilo que uma outra experiência pode subvalorar
    • Definição da Não-Realidade como aquilo que uma outra experiência nem pode nem não pode subvalorar
  • O processo mental de subvaloração como fundamento ontológico

    • O conceito de bâdha do Advaita como contradição, anulação ou subvaloração
    • Definição da subvaloração como processo mental de desvalorização de um conteúdo da consciência à luz de uma nova experiência contraditória
    • Exemplo da subvaloração da percepção de um manequim de cera inicialmente julgado como ser vivo
    • Distinção entre a mera correção de um erro e a subvaloração propriamente dita, que exige o abandono do juízo anterior
    • A subvaloração como um processo axio-noético que envolve o desvio da atenção e a atribuição de um valor superior ao novo juízo
    • Os três elementos constitutivos da subvaloração: um juízo inicial, o reconhecimento de sua incompatibilidade com um novo juízo e a aceitação da validade deste novo juízo
    • Caracterização da subvaloração como uma revisão discriminativa que destrói radicalmente o objeto tal como era previamente julgado
    • A subvaloração como critério para distinções ontológicas, onde o suscetível a ser subvalorado possui menor grau de realidade
  • A Realidade como o não subvalorável

    • A Realidade definida como o conteúdo que não pode ser desvalorizado, negado ou contradito por qualquer outra experiência
    • A exigência lógico-linguística de que o termo "realidade" possua um significado filosófico distintivo, referindo-se a um conteúdo não subvalorável
    • Identificação da Realidade com a experiência da pura identidade espiritual não dual (nirvikalpa samâdhi), onde a separação entre eu e não-eu é transcendida
    • A impossibilidade de conceber uma experiência que subvalore a identidade não qualificada, experiência de valor absoluto e unicidade do ser
    • Citação de Suresvara sobre a impossibilidade da dúvida em relação ao Si mesmo (o Real), cuja natureza é pura consciência imediata
    • A natureza não dual da Realidade, que nega a possibilidade de qualquer "objeto" exterior que a possa contradizer ou substituir
    • Analogia com a "substância" de Spinoza, que só pode ser concebida por si mesma e transcende todas as partes
    • A Realidade como aquilo que constitui o conteúdo da experiência espiritual não dual, a unicidade infinita do ser sem condições ou diferenças, o nirguna Brahman
  • A Aparência como o subvalorável

    • A Aparência definida como o domínio dos conteúdos de experiência que podem ser subvalorados
    • Divisão da Aparência em três categorias de existentes: o existente real, o existente e o existente ilusório
  • O existente real como a forma mais elevada da Aparência

    • Definição do existente real como o conteúdo que apenas a Realidade pode subvalorar
    • As relações existenciais do existente real, como a experiência religiosa teísta e a experiência de amor autêntico, que só são subvaloradas pela experiência não dual
    • Os objetos particulares do existente real, como a obra de arte bem-sucedida, cuja experiência estética de compreensão intuitiva só é subvalorada pela superior splendor da Realidade
    • Os conceitos do existente real, como as relações lógicas necessárias (a lei da contradição), que não podem ser negados por qualquer outra experiência sensorial e mental
  • O existente como o nível intermediário da Aparência

    • Definição do existente como o conteúdo que pode ser subvalorado pela Realidade ou pelo existente real
    • As relações existenciais do existente, como os encontros fortuitos e puramente convencionais, subvaloráveis por experiências relacionais mais profundas e completas
    • Os objetos particulares do existente, considerados como realidades independentes, subvalorados pela realização da interdependência e interpenetração de todas as coisas
    • Os conceitos do existente, como as relações lógicas puramente formais e convencionais, subvaloráveis por relações dotadas de necessidade lógica efetiva
  • O existente ilusório como o nível mais baixo da Aparência

    • Definição do existente ilusório como o conteúdo que pode ser subvalorado por qualquer outro tipo de experiência
    • Exemplos de existentes ilusórios: alucinações, fantasias, sonhos, percepções sensoriais errôneas
    • As relações ilusórias, baseadas em um mal-entendido sobre a coisa com a qual se estabelece o contato, como confundir uma sombra com um ladrão
    • Os objetos físicos ilusórios, percebidos falsamente, como confundir um toco de árvore com um crocodilo
    • Os conceitos ilusórios, que falham em sua função esperada, como um enunciado analiticamente falso formulado por ignorância
    • A suscetibilidade universal à subvaloração de todos os conteúdos da experiência sujeito-objeto, que podem ser reconhecidos como falsos por uma experiência ulterior
  • A Aparência como o domínio da dúvida possível e o conteúdo da experiência sensorial e mental, a multiplicidade diferenciada do ser

  • A Não-Realidade como o não ser

    • A Não-Realidade definida como aquilo que uma experiência nem pode nem não pode subvalorar
    • Caracterização do não real como um "objeto" que, por autocontradição, não pode aparecer como um dado da experiência, como um círculo quadrado ou a filha de uma virgem
    • Distinção entre o existente ilusório, que não possui contraparte objetiva de fato, e o Não-Real, que não pode possuí-la em princípio
    • A submissão da experiência humana à lei da contradição, que nega existência a objetos autocontraditórios
    • A Não-Realidade como aquilo que nunca pode ser o conteúdo de uma experiência, o Não-Ser
  • A incomensurabilidade qualitativa dos três níveis de ser

    • A ausência de comum medida entre Realidade, Aparência e Não-Realidade do ponto de vista da razão e da experiência
    • A impotência da razão para estabelecer relações de causalidade entre níveis de ser qualitativamente diferentes
    • A validade da ontologia hierárquica apenas do ponto de vista da Aparência
    • A perspectiva da Realidade, onde não existem distinções entre Aparência e Não-Realidade, havendo apenas a Realidade
    • As distinções ontológicas como modos necessários de organização mental da experiência, justificáveis como "filosofia" do ponto de vista da consciência racional e sensorial
    • A natureza subvalorável das próprias distinções, que as mantêm confinadas à ordem da Aparência