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id da página: 10083 Daryush Shayegan – Hinduísmo e Sufismo – Elementos Daryush Shayegan

Daryush Shayegan Elementos

Daryush Shayegan – Hinduísmo e Sufismo


Daryush Shayegan. Les relations de l’hindouisme et du soufisme d’après le Majma’ al-bahrayn de Dârâ Shokûh. Paris: Éditions de la différence, 1979

  • Os elementos islâmicos e a sua homologação com os elementos indianos segundo Dârâ Shokûh

    • Enumeração dos cinco elementos islâmicos: o Elemento Supremo, o ar, o fogo, a água e a terra.
    • Homologação proposta por Dârâ Shokûh entre os elementos islâmicos e os cinco elementos indianos (pancha bhuta): éter (akasha), ar (vayu), fogo (tejas), água (ap) e terra (prithivi).
    • Distinção de três tipos de éter feita por Dârâ Shokûh: o bhutakasha (éter elementar), o manasakasha (éter mental) e o chidakasha (éter-consciência).
  • As características e funções dos três tipos de éter definidos por Dârâ Shokûh

    • Definição do bhutakasha como aquele que envolve todos os elementos.
    • Definição do manasakasha como aquele que envolve todos os seres.
    • Definição do chidakasha como omnipresente, originário, não acidental e que envolve o universo, sem que qualquer versículo alcorânico ou védico ateste a sua destruição.
  • A gênese do Amor (ishq/Maya) a partir do éter-consciência e o hadith do Tesouro Oculto

    • Origem do Amor (ishq), equiparado à Maya indiana, a partir do chidakasha.
    • Citação do hadith qudsi "Eu era um Tesouro Oculto, desejei ser conhecido e criei a Criação" como prova islâmica para essa gênese.
  • A emanação do Espírito Supremo (Ruh-e Azam/Jivatman) a partir do Amor e suas denominações

    • Nascimento do Espírito Supremo (Ruh-e Azam) ou Jivatman a partir do Amor.
    • Identificação do Espírito Supremo com a Realidade Mohammadiana (Haqiqat-e Muhammadiyya) e o Espírito universal de Mohammad.
    • Equivalências indianas apresentadas: Hiranyagarbha e Avasthatman, aludindo ao grau de grandeza (azamiyat) ou ao plano virtual (ijmal).
  • A processão sequencial dos elementos a partir do Sopro de Misericórdia

    • Posição hierárquica inferior do elemento aéreo (bad), identificado como o Sopro de Misericórdia (Nafas-e Rahman).
    • Gênese do fogo a partir do ar, devido ao calor libertado pela exalação do Sopro que estava oculto no ser.
    • Gênese da água a partir do fogo, devido ao arrefecimento do Sopro, dotado de atributos de clemência e existenciação (ijad) ou unidade (ittihad).
    • Processão da terra a partir da água.
  • A resolução dos elementos na Grande Ressurreição (Qiyamat-e Kubra) e a citação alcorânica

    • Identificação da Ressurreição Maior com a grande dissolução indiana (Mahapralaya).
    • Inversão da ordem de origem na resolução dos elementos, culminando na união do Espírito Supremo com o mahakasha.
    • Citação do versículo alcorânico (55:26-27) "Todos os que estão sobre a terra perecerão, mas subsistirá a face de teu Senhor, plena de majestade e magnificência".
    • Interpretação da "Face" divina como alusão ao mahakasha, considerado o corpo sutil da Essência sacrossanta (Zat-e Muqaddas).
  • A identificação errónea da terra com "div" e a citação alcorânica sobre a origem e o retorno à terra

    • Menção ao erro de Dârâ Shokûh ao afirmar que a terra é chamada "divi" na língua dos indianos, quando o termo designa o céu ou o dia.
    • Afirmação de que tudo nasce da terra e a ela retorna.
    • Citação do versículo alcorânico (20:55) "Da terra, Nós vos criamos. Nela, vos faremos retornar. E dela, vos faremos surgir outra vez".
  • Os elementos indianos segundo o sistema Vaisheshika

    • Enumeração dos cinco elementos indianos (pancha bhuta): éter (akasha), ar (vayu), fogo (tejas), água (ap) e terra (prithivi), por ordem de condensação crescente.
    • Contextualização no sistema Vaisheshika, que estuda as categorias (padartha) e as nove substâncias (dravya) que constituem o mundo.
    • Prevalência de um elemento em cada corpo, com os outros subordinados, e correspondência com os estados da matéria.
  • As qualidades sensíveis específicas de cada elemento no Vaisheshika

    • A terra (Prithivi)
      • Qualidades inerentes: cor/forma (rupa), sabor (rasa), odor (gandha) e tangibilidade (sparsha).
      • Qualidade específica: o odor, sendo o elemento mais condensado.
    • A água (Ap)
      • Qualidades inerentes: cor, sabor, tangibilidade, fluidez (dravata) e untuosidade (snigdhata).
      • Qualidade específica: o sabor, assim como o frio.
    • O fogo (Tejas)
      • Qualidades inerentes: cor e tangibilidade.
      • Qualidade específica: a visibilidade ou forma.
      • Distinção de três tipos de luz por Shankara Mishra, baseada na perceção simultânea ou não de cor e calor.
      • Oposição antitética entre fogo e água, devido a qualidades contrárias como calor e frio.
    • O ar (Vayu)
      • Qualidade inerente: a tangibilidade.
      • Compreensão por inferência (anumana), sendo imperceptível aos sentidos diretamente.
      • Analogia com o Sûtra: "É inferindo de propriedades como o chifre, a corcova, a cauda peluda que nos asseguramos da existência da vaca".
      • Definição do ar como uma substância permanente, dotada de atividade e qualidade, que não se associa a outras substâncias.
      • Definição da inferência da sua existência como "inferência por analogia" (sāmānyatodṛṣṭāt).
    • O éter (Akasha)
      • Ausência das qualidades inerentes a outros elementos.
      • Qualidade sensível: o som (shabda), que não é qualidade de outras substâncias como alma (atman), mente (manas), espaço (dish) ou tempo (kala).
      • Necessidade de inferir a existência do éter como substrato do som, por eliminação de outras substâncias.
      • Refutação da ideia de o som ser uma qualidade da alma, pois levaria a noções absurdas como "eu sou sonoro" e os surdos poderiam ouvi-lo, o que não ocorre.
      • Prova da omnipresença do éter pelo facto de o som poder ser produzido em qualquer lugar, requerendo um substrato material único e omnipresente.
      • Defesa da homogeneidade e unidade do som, comparando-o ao sol único, que não se multiplica pelo número de espectadores.
      • O éter como meio contínuo para a conjunção (samyoga) e disjunção (viyoga) dos átomos, não sendo ele próprio de estrutura atómica.
      • Discussão sobre a origem do éter: a posição de Kanada, que nega a sua origem por ausência de causas inerente (samavāyi), não-inerente (asamavāyi) e eficiente (nimitta).
      • Objeções de Shankara à eternidade do éter, argumentando que ele teria de coexistir com Brahman, contradizendo o princípio vedantino do "Um sem segundo".
      • Interpretação de comparações como "Brahman é omnipresente como o éter" como representações simbólicas, não literais.
  • Os elementos islâmicos e suas naturezas baseadas em combinações de quentes/frios e secos/húmidos

    • Enumeração dos quatro elementos islâmicos: fogo, ar, água e terra.
    • Definição das suas naturezas (tabayi) a partir de combinações: fogo (quente e seco), ar (quente e húmido), água (fria e húmida), terra (fria e seca).
    • Distinção fundamental face aos elementos indianos: a ausência de qualidades sensoriais específicas, sendo baseados em princípios de expansão e condensação.
    • Exclusão do éter na cosmologia islâmica, tal como na filosofia aristotélica.
  • A hierarquia, interação e síntese dos elementos islâmicos

    • Ordem de subtilidade e localização: fogo (o mais subtil, acima de tudo), ar (abaixo do fogo), água (abaixo do ar), terra (o mais denso, abaixo de tudo e no centro).
    • Síntese dos elementos para constituir os três reinos da natureza (animal, vegetal, mineral) pela vontade divina, análoga ao poder invisível (adrishta) no Vaisheshika.
    • Classificação quanto à densidade: fogo como "subtil absoluto", terra como "denso absoluto", ar como "subtil relativo" e água como "denso relativo".
    • Antagonismo natural entre os elementos, que são forçados a cooperar pela vontade divina, não sendo autónomos.
    • Capacidade dos elementos mais subtis de penetrarem nos mais densos (fogo no ar, ar na água, água na terra), mantendo cada um o seu lugar próprio.
    • Exemplo de Nasafi sobre a cooperação dos elementos: mergulhar o dedo em água a ferver resulta em molhar-se (água) e queimar-se (fogo).
    • Exemplo de Nasafi sobre os diferentes domínios de viagem conforme o elemento: terrestre (limitada), aérea (mais extensa), da luz (instantânea, do Oriente ao Ocidente).
  • Diferenças essenciais entre as doutrinas indiana e islâmica sobre os elementos

    • Contrastes: elementos indianos associados a qualidades sensíveis e a cinco sentidos; elementos islâmicos baseados em naturezas de calor/frio e seco/húmido.
    • Visão indiana de correspondências psico-somáticas, ligando elementos grossiros a elementos subtis (tanmatra), princípio de individuação (ahamkara) e intelecto (buddhi).
    • Diferença numérica crucial: quatro elementos no Islão versus cinco na Índia.
    • Solução de Dârâ Shokûh: homologar o Tróno Supremo islâmico como o quinto elemento, equivalente ao mahakasha indiano.
  • O Tróno Supremo (Al-'Arsh al-Azam) na gnose islâmica segundo Abd al-Karim al-Jili

    • Definição do Tróno como epifania (mazhar) da sublimidade divina, determinação da Essência e corpo ou espaço epifânico da Presença divina, subtil e isento das seis direções.
    • Compreensão do Tróno como "Corpo universal" (al-jism al-kulli) que contém os mundos espiritual (jabarut), imaginativo (mithal) e intelectual (malakut).
    • Superioridade do Tróno sobre a Tábua Guardada (al-lawh al-mahfuz) na opinião de alguns sufis, identificada com a Alma universal.
    • Definição absoluta do Tróno como uma Esfera (falak) que envolve a totalidade dos céus, espíritos, formas e figuras, sendo a sua superfície o lugar epifânico de Deus sob o nome de "O Misericordioso".
  • As dimensões esotérica e exotérica do Tróno

    • Dimensão esotérica (batin): mundo das entidades eternas (a'yân thâbita), grau dos Nomes e Atributos divinos, essências fixas, interpretado como o "teto do paraíso".
    • Dimensão exotérica (zahir): mundo humano, plano das aparências, corporificação (tajsim) e formas simbolizadas (taswir), grau da teologia simbólica (tashbih).
    • Manifestação do Tróno de forma absoluta ou através de atributos específicos, como o "Tróno Glorioso" (majid) ou o "Tróno Sublime" (azim).
    • Analogia final: o Tróno é para o mundo o que o corpo é para o homem, unindo as partes dispersas da criação.
  • A hierarquia dos mundos e a correspondência microcósmica do Tróno no coração

    • Visão hierárquica dos planos de existência: cada plano superior reflecte-se e epifaniza-se no inferior (Jabarut -> Malakut -> Mundo Imaginal -> Mundo Sensível).
    • Correspondência simbólica entre todos os mundos, formas, sons, espaços e tempos em cada nível.
    • Categorização sufi do tempo e espaço: denso/grosseiro (mundo sensível), subtil (mundo imaginal/malakut), mais subtil (mundo espiritual/jabarut).
    • O Tróno como o Ser que se expande (wujûd munbasit) envolvendo a universalidade dos mundos actualizados.
    • Correspondência de diferentes tronos com diferentes planos, segundo Qazi Sa'id Qommi: Tróno Sublime (Inteligência divina), Tróno Glorioso (Alma universal), Templo Celeste (Bait al-Ma'mur), Caaba (mundo terrestre).
    • Homologia perfeita entre estes tronos e os mundos que simbolizam, cada um com o seu espaço e tempo qualificados.
    • Correspondência microcósmica do Tróno no coração (qalb) do homem, como epifania do Nome "O Misericordioso".
    • Movimento perpétuo do coração e do Tróno, simbolizando o renovar-se contínuo das teofanias pelo Amor da autorrevelação divina (hubb al-zuhur).
    • O coração como centro do Tróno, sendo a sua circunferência, daí o dito "o coração do crente é o Trono do Misericordioso".
  • As três categorias de éter (Akasha) definidas por Dârâ Shokûh e a sua tradução das Upanishades

    • Análise da terminologia flutuante de Dârâ Shokûh nas suas traduções persas das Upanishades.
    • Uso de "bhutakasha" para traduzir termos como "antariksha" (espaço intermédio), "vayu" (ar) e "akasha" (éter).
    • Uso de "chidakasha" e "mahakasha" para traduzir "parama vyoma" (éter supremo).
    • Intenção clara de distinguir o "éter antigo" (purânam kham), símbolo do Ser Supremo (Paramatman), do "éter-ar" (vâyavam kham), o éter elementar.
  • A concepção do éter nas Upanishades e nos comentários de Shankara

    • Citação da Chandogya Upanishad I.9.1: "Todos os seres procedem do éter e a ele retornam".
    • Citação da Chandogya Upanishad VIII.1.3: "Tão vasto como o éter exterior é o espaço dentro do coração, contendo o céu e a terra".
    • Citação da Taittiriya Upanishad II.1: "Do Ser (Atman) emanou o éter, do éter emanou o ar".
    • Os três éteres da Chandogya Upanishad III.12.7-9: exterior ao homem, interior ao homem e dentro do coração (pleno e imutável).
    • Homologia de Shankara dos três éteres com os três estados de consciência: vigília (com dor), sonho (com menos dor) e sono profundo (sem desejo ou sonho, cessação da dor).
    • O éter como símbolo (pratika) do Brahman, devido à sua omnipresença e simplicidade, tal como a sílaba Om.
    • Identificação do éter supremo com o estado involuído ou causal do mundo, a condição seminal do universo resorbado.
    • Degradação do éter conforme o plano de existência: do mais puro (coração/sono profundo) ao mais grosseiro (exterior/vigília).
  • Homologias entre os níveis do Tróno islâmico e as categorias de éter indianas

    • Possível equivalência: bhutakasha (éter elementar/vigília) com o mundo sensível (nasut); manasakasha (éter mental/sonho) com o mundo imaginal/mental (malakut); chidakasha/mahakasha (éter-consciência/sono profundo) com o mundo espiritual (jabarut) ou o Tróno Supremo.
    • Menção a cinco categorias de éter noutras Upanishades (ex.: Mahakasha como luz irradiante, Paramakasha como beatitude suprema).
    • Identificação do Tróno Supremo (Inteligência divina, Nomes e Atributos) com o mahakasha (éter supremo, estado involuído, causa seminal).
    • Princípio das correspondências: cada plano de existência tem o seu homólogo noutros planos, tal como o Tróno tem homólogos em níveis inferiores (ex.: Caaba no mundo terrestre) e o éter se manifesta em diferentes graus de subtileza.
    • Homologia microcósmica: o éter subtil no lótus do coração e o Tróno no coração do crente.
    • Conclusão sobre o esforço de Dârâ Shokûh: o Tróno não é um elemento no sentido físico, mas um símbolo cosmogónico, cuja analogia com o mahakasha, embora sugestiva, não constitui uma homologação perfeita.