CHARBONNEAU-LASSAY, Louis. Le Bestiaire du Christ. Paris: Desclée de Brouwer, 1934
I. A Pérola na Natureza e Entre os Antigos
O nome dela por si só é um poema de luz suave e pura; é uma miragem oriental de conto de fadas, um sonho encantado onde passam e repassam as princesas deificadas dos tempos fabulosos que as pérolas cobriam e os formidáveis potentados de Nínive, de Susa e de Ecbatana, de Babilônia e de Persépolis, cujas tiaras soberanas rutilavam com gemas deslumbrantes e pérolas maravilhosas; é também a Bem-Amada do Cântico bíblico, cujo pescoço resplandecia de beleza sob o brilho dos colares de pérolas, sicut moniliae; é ainda Cleópatra, que usava em suas orelhas, para receber Antônio, pérolas tão belas que valiam, diziam, as fortunas de dois príncipes; são os tesouros inauditos e reais de Golconda, de Madras e de Surate, com os quais nossos pais sonhavam no tempo de MM. Dupleix, Lally de Tollendal e de la Bourdonnais; são os estojos incomparáveis dos príncipes soberanos que elefantes caparisonados de seda, caxemira e ouro passeiam nos luminosos vales do Ganges, do Bramaputra e do Godavéry... A pérola é, em nossa terra, uma das manifestações mais delicadas e sutis e um dos triunfos mais serenos da Beleza.
As pérolas nascem no mistério das águas marinhas, sob as conchas de grandes ostras planas, as Meleagrinae margatiferae e Martini, cuja madrepérola interior tem reflexos cintilantes e cambiantes de selenita e de berilo. As mais belas são pescadas nas costas do Ceilão, de Malabar, de Karnatic e de Coromandel. A França também colhe algumas soberbas em suas ilhas oceânicas de Touamotou. Mas as que fizeram o orgulho da aristocracia da Grécia e de Roma vinham, segundo Plínio, das margens do Golfo Pérsico e da Arábia, que são, diz ele, as mais belas, e do Mar Vermelho, que são as mais claras. Tácito também fala das pérolas que eram recolhidas na Grã-Bretanha, e busca a razão pela qual estas são menos límpidas que as do Mar Vermelho. Na França, também se encontram, por vezes, pérolas em grandes mexilhões de água doce; sem que estas possam ser vantajosamente comparadas às suas irmãs marinhas, não são, no entanto, desprovidas de toda beleza.
A pérola é apenas uma excrescência globular que cresce na superfície da concha do molusco quando esta é ofendida por um cascalho ou por qualquer outro corpo rugoso; sua natureza é a mesma da madrepérola, mas com uma translucidez mais perfeita, um oriente, uma cor mais uniforme e um reflexo mais intenso.
Desde as mais distantes civilizações, a admiração dos homens fez a pérola entrar em suas lendas e em suas simbologias. Atribuíram-lhe propriedades tão surpreendentes quanto maravilhosas. Ver pérolas em sonho dava uma esperança de enriquecimento e de felicidade, segundo os magos caldeus; e, se Fedro, bem antes de Jean de La Fontaine, fez da pérola o emblema do brilho e da riqueza inúteis, outros Antigos, por outro lado, a estabeleceram como um talismã protetor que, assim como as pedras de sapo, decifrava aos homens os venenos mortais escondidos em bebidas assassinas. E se Cleópatra, por arrogância de louca, fazia dissolver pérolas em seu vinagre, a farmacopeia dos Antigos, como a de nossa Idade Média, considerava o pó de pérolas pulverizadas como um remédio eficaz; por outro lado, o antigo hermetismo fez da pérola um dos ideogramas da mulher perfeita, pois, diz o alquimista grego e cristão Zosimo, "a pérola que realiza sua obra tratada em decocção em óleo, representa a potência feminina", que deve ser, em relação aos outros, toda feita de bondade, de doçura e de encanto, mas que pode ser considerada também sob outros aspectos.
Segundo os primeiros doutores muçulmanos, "Deus formou o espírito de Maomé de uma pérola rara e pura e lhe deu a semelhança de um pavão"; por outro lado, eles escreveram que "o Grande Deus tirou de uma bela pérola branca o Livro da Vida que está suspenso acima de seu trono". A pérola também desempenha papéis variados e maravilhosos nas ficções do Extremo Oriente. Esta, por exemplo: Em seu tempo, o bonzo Hoéi orou por muito tempo para que seu imperador recebesse do céu a pérola Che-li-tsé; por fim, uma noite, um pouco antes do amanhecer, ouviu-se a pérola desejada cair em um vaso de cobre. E o imperador fez construir para o bonzo Hoéi uma pagoda, e depois ergueu uma magnífica torre no topo da qual se colocou a pérola divina que resplandecia com um contínuo brilho. Em outro lugar, um dos espíritos Kia que, querendo se encarnar no seio de Tchang-Che, lá depositou uma pérola celeste; doze meses depois, Tchang-che deu à luz um filho, a criança com os quarenta talismãs, encarnação abençoada do espírito Kia.
II. A Pérola na Simbologia Cristã
Nesse dia, Jesus, tendo ensinado o povo, o despediu e voltou para a casa onde seus discípulos o cercaram, então ele lhes explicou a parábola da boa semente e a do tesouro escondido, depois acrescentou:
"O Reino dos céus é semelhante também a um negociante que buscava pérolas preciosas, e que, tendo encontrado uma de grande valor, foi e vendeu tudo o que tinha, voltou e comprou essa pérola".
Desde os primeiros tempos cristãos, os comentadores da Escritura sagrada viram nesta pérola perfeita, para a posse da qual o homem deve sacrificar tudo neste mundo, o próprio Cristo. Eles reconhecem, além disso, que em muitas outras ocasiões foi a si mesmo que Ele designou por esta expressão: "o Reino de Deus", ou "o Reino dos Céus". Assim como a pérola de sua parábola, cujo alto valor recompensou a diligência e o sacrifício do negociante, Cristo é Ele mesmo a recompensa superabundante de seus eleitos: santo Tomás de Aquino o afirmou quando, no século XIII, escreveu este texto que a Igreja latina tornou oficial em sua liturgia: "A nós, Ele se deu como companheiro desde o seu nascimento, como alimento em seu banquete, como resgate por sua morte. Ele se dá a nós em seu reino como nossa recompensa", se regnans dat in praemium.
Na mesma época, a célebre mística santa Coleta escreveu que "o monge que sacrificou todos os seus bens viverá na alegria se tiver a paixão de Cristo em seu coração, pois é ele, Jesus, a pérola viva, que transforma todas as amarguras em doçura".
E esta ideia de figurar pela pérola preciosa a recompensa suprema vem de muito longe, talvez dos costumes desses potentados orientais que preenchem a História pré-cristã com seu fausto e sua magnificência. Documentos iconográficos do antigo Egito nos mostram os faraós passando colares de pérolas no pescoço dos grandes de seu reino, e, mais tarde, entre os gregos e os romanos, a Pérola, associada à palma ou ao ramo de louro, foi o emblema dos vitoriosos que o triunfo recompensou. E esta é uma simbologia que a arte da jovem Igreja cristã acolheu bem, pois em uma pintura do século II, na catacumba romana da via Ardeatina, dois ramos de louro e o colar de pérolas figuram o triunfo dos Mártires e sua recompensa divina, se regnans dat in praemium.
No mesmo espírito, sem dúvida, os artistas romanos do mesmo tempo representaram, em um afresco da catacumba de Priscila, o Cristo que, ainda não encarnado na terra, sustenta, no entanto, Susana, em recompensa por sua resistência aos velhos impudicos. O Messias prometido ao mundo e a santa mulher são colocados "em um círculo triplo de pérolas ladeado por uma guirlanda de flores...".
Em um velho hino, santa Inês, a mártir, fala assim do Senhor: "Ele colocou ao meu redor fileiras de pérolas brilhantes e frescas como a primavera".
Retomando, como vimos acima, antigas crenças, a Idade Média admitiu que o Criador havia infundido na pérola um pouco de sua potência e de sua bondade. Usava-se, então, a pérola em si nas doenças, como um amuleto curador: é assim que o Inventário de joias de Carlos, o Temerário, para o ano de 1455, fala de "onze pérolas brutas, enfiadas, que foram emprestadas ao falecido Chardon, durante sua doença". As mais eficazes eram "brutas", como eram extraídas das ostras perlíferas; também eram chamadas de "pérolas virgens".
Como nos séculos antigos, ainda se pulverizavam "pérolas donzelas" para que o pó fosse absorvido pelos doentes, em sua bebida. Ali se via uma imagem emblemática de Cristo Jesus, uma imagem dupla: a de seu sofrimento em sua Paixão, que o quebrou, e a de sua Eucaristia, pela qual ele se dá em alimento salutar, "convivens in edulium".
Já, no século VI, o poeta Fortunato, bispo de Poitiers, falando da Eucaristia, a designava assim: "A rica Pérola do Corpo do Cordeiro", Corporis Agni Margarita ingens.
E, muito mais tarde, no século XVIII, a coleção de emblemas de Mathieu Chavance ecoou o velho tema emblemático figurando, na grande sala de um palácio, sobre uma almofada que sustenta uma mesa, uma pérola resplandecente; acima desta composição se desenrola esta divisa: Fracta melior, "Ela é ainda melhor quando é quebrada". E sob tudo, o seguinte quarteto:
"A Pérola reduzida a pó é um bálsamo propício, que devolve ao doente uma inteira força; assim Jesus, quebrado por um cruel suplício, livrou o gênero humano de um terrível infortúnio".
A mística de nosso tempo guardou, aliás, a simbologia eucarística da pérola quebrada, encontramos seu eco na pena de um eminente bispo de Carcassonne, morto coadjutor de Bordeaux, Dom de la Bouillerie. "Basta-me", escreveu ele, "que a pérola do Evangelho seja Jesus Cristo para que logo eu reconheça nela a santa Eucaristia... e não é a ela que se aplica esta palavra do Sábio: 'Todos os bens vieram a mim com ela'", Omnia bona venerunt pariter cum ilia...?
Outras considerações ligaram, nos primeiros séculos cristãos, a pérola à simbologia particular do Salvador. A propósito da parábola evangélica da pérola rara, são Gregório e santo Agostinho — para citar apenas estes Doutores — propuseram diversos paralelos entre a Pérola e o Cristo Jesus. Eles veem Nele o Cristo, que, sozinho entre os santos, foi isento de todo pecado, e também o único Homem-Deus. Agostinho vê ainda nas pérolas a imagem das inteligências de elite, e entre elas, acima delas infinitamente, a do Cristo, de quem está escrito: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus", o Verbo brilhando com o esplendor da verdade, imperecível como a eternidade. São bem estas as pérolas preciosas das quais é dito que "não se devem lançar diante dos porcos, para que estes não as pisem", Nolite mittere margaritas ante porcos.
Aliás, numerosos são os espirituais que viram no brilho nevado das pérolas a figura da imarcescível castidade do Homem-Deus e a da beleza sem rival da alma do "mais belo dos filhos dos homens".
III. Significaçoes Diversas da Pérola na Simbologia Cristã
O emblema da Virgem. — Como o lírio, a rosa branca, o marfim e a neve, a pérola, irmã cândida do deslumbrante diamante, convinha magnificamente para simbolizar a Virgem Maria, a quem a Igreja chama de "a Imaculada".
Nesta aplicação feliz, a pérola não sofreu, aos olhos da mística cristã, com o gesto pelo qual os velhos cultos grego e romano a consagraram à glória de Vênus-Afrodite, a mais bela das deusas, a deusa da beleza. A razão é que nada de sensual entrou nesta consagração; é apenas a evocação do poema lendário que faz Vênus nascer da pura espuma do mar, no berço de uma concha de madrepérola, e que a pérola, também, se forma no seio das águas marinhas, no mistério da concha iridescente de um molusco.
Em duas igrejas de Roma, a pérola é representada como um dos emblemas de Maria: sob a cúpula de Santo Isidoro, um afresco de 1663 nos mostra uma concha aberta com a inscrição: Quod in coelum conversa; em Santa Maria de Monte-Santo, uma pintura de 1676 representa uma pérola em sua concha original, e estas palavras a acompanham: Immaculatam peperit, dupla alusão ao nascimento puríssimo da Virgem e à formação da pérola na limpidez dos mares e na pureza da madrepérola materna.
A antiga concepção que fazia da pérola o emblema da riqueza para os Antigos foi transposta para a nota cristã por santo Agostinho, que, com a mística de seu tempo, vê nela a imagem das riquezas espirituais, riquezas de graças da Igreja, riquezas da "comunhão dos Santos", riquezas pessoais da alma santa.
Para são João Crisóstomo, as pérolas são a imagem dos divinos mistérios encerrados na palavra de Deus como a pérola em sua concha. Nos inícios sangrentos da Igreja, as pérolas, "que não se devem lançar sob os pés dos porcos", figuravam também os "mistérios" que não se deviam revelar a todos, mas reservar apenas aos batizados, após as provações do catecumenato.
Até nossos dias, diversos místicos viram na brancura nevada das pérolas a figura da imarcescível castidade do Homem-Deus e a da beleza sem rival da alma do "mais belo dos filhos dos homens".