CHARBONNEAU-LASSAY, Louis. Le Bestiaire du Christ. Paris: Desclée de Brouwer, 1934
A MÃO EMBLEMÁTICA
I. A mão emblemática antes do cristianismo
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Universalidade e permanência do emblema da Mão através dos milênios
- Significados de soberania suprema, virtude criadora, força divina, poder de comando, justiça, direção, proteção, assistência e munificência inesgotável quando representando a Divindade
- Gestos piedosos de adoração, veneração, aclamação e invocação quando interpretando a alma humana nas obrigações religiosas
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Representações primitivas da mão estendida em cavernas do período quaternário
- Exemplos nas grutas de Font-de-Gaume, Gargas e Cabreret, mostrando a palma como ainda hoje usada em amuletos
- Técnica de impressão com mão mergulhada em ocre vermelho e negro na gruta de Callias (Gard), período aurignaciano
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Função templária das cavernas de acesso difícil na pré-história
- Descoberta do conde Bégouen em 1912 no Tuc d'Andoubert (Ariège) de uma sala sagrada com bisões de argila modelados para adoração
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Questionamento sobre o valor de objetos de Glozel (Allier) incluindo mãos estendidas
- Contestações sobre a validade dos documentos deste depósito
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Veneração e consagração simbólica da mão no Oriente antigo
- Imagem simbólica de Shiva no culto de Brahma, segurando tamborim, antílope emblemático ou corda enrolada
- Raios terminados em mãos dispensadoras de favores saindo do rosto do deus solar Amida-Avalokites-Vara na China
- Emblema da liberalidade paterna de Amon no Egito, com mãos distribuindo graças no término dos raios solares
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Importância dos gestos rituais da mão nas cerimônias religiosas egípcias
- Cenas de passes magnéticas em grupo para o nascimento dos Faraós
- Uso de um chaton de bracelete com uma mão humana aberta ao pescoço do herdeiro real como proteção contra o "ladrão do inferno"
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Uso de amuletos de mão divina na vida quotidiana do povo egípcio
- Gravação em pedra fina com cordel de sete nós e recitação de preces para obtenção de proteção divina
- Escultura em cornalina em relevo
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Postura de adoração com ajoelhamento e elevação das duas mãos abertas ao nível da cabeça
- Representação em estatuetas votivas da Ásia Menor e figuras diante do disco solar na rocha esculpida de Eflatoun, na Licaônia
- Figurinhas de bronze votivas descobertas no Cáucaso por M. Bapst na mesma atitude, precursora dos "orantes" cristãos
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Representação da mão divina pela letra Caph entre os antigos Hebreus
- Ausência de relação formal entre a letra e a mão
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Instrumentalidade da mão em gestos sagrados na celebração de cultos babilónicos
- Menção ao hino "Prece da Elevação da Mão" dedicado a Istar
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Presença da imagem da mão em pedras finas gravadas da Fenícia sob influência egípcia
- Duplo símbolo de liberalidade, poder divino e súplica humana no Cáucaso antigo e região do Mar Cáspio
- Mãos votivas em metal, como a de Koban no Museu de História Natural de Viena
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Figuração da assistência divina pela mão secorável na Grécia antiga
- Cultos de Asclépio e Hígia para o dom da saúde
- Cultos de Artémis Eilithye e Hera para as obras da gestação e nascimento
- Oferecimento de numerosas mãos votivas a Sabazios na Frígia
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Aparição da mão em estelas de Cartago caracterizadas pelo triângulo misterioso da deusa Tanit
- Posterior conhecimento do talismã denominado Mão de Fathma em toda a África setentrional
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Expressão da presença da Divindade e da bênção divina pela mão estendida em todo o velho mundo
- Comparação com o "Pé de Vishnu" no Brahmanismo
- Representação na arte egeia da grande deusa de Creta abençoando com a mão direita de dedos afastados
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Reunião destes dois pensamentos no estandarte de uma tribo de Gauleses Pictos
- Descrição no inventário do tesouro do lago de Nesmy (Vendée) de uma grande mão de ouro com cabo de pá e ganchos laterais
- Representação da mão-estandarte com dois ganchos laterais nos estateres de ouro dos Gauleses poitevinos no século II a.C.
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Fundição de pequenos talismãs com a imagem da mão na Gália como apelo à proteção divina
- Pequena mão presa a um molho de chaves no museu de Alise-Sainte-Reine (Côte-d'Or)
- Mãos segurando a roda sagrada ou o círculo
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Representação da mão em moedas romanas "quadrans" e em alguns insígnias militares
- Crenças singulares, como o poder curativo da mão de um homem de morte prematura segundo Plínio, o Naturalista
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Emblema do bom e leal acolhimento, boa fé e amizade no terreno profano do velho mundo
- Inscrição em grego na grande mão de bronze descoberta em Puy-en-Velay: "Símbolo de Aliança enviado aos Vélauni"
- Mão de ouro de um fivela antiga terminando um corpo de serpente, aconselhando prudência
II. A mão na emblemática cristã
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Adoção rápida do sinal da mão pela emblemática cristã como emblema do Pai e de Cristo
- Insígnia do poder criador para simbolizar Aquele por quem tudo foi feito
- Insígnia da realeza eterna, força, comando e dominação para o "Santo de Israel"
- Insígnia de bênção, assistência socorrente, munificência e todos os dons perfeitos
- Insígnia de justiça para Aquele que um dia julgará a terra
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Regra geral de representação da mão de Cristo com cruz, Alpha e Omega, nimbo crucífero ou em contextos inequívocos
- Poucas exceções a esta regra
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Consagração pela emblemática dos primeiros séculos da mão esquerda como emblema da justiça e da direita como imagem da misericórdia
- Base em Santo Agostinho e nos Padres da Igreja
- Representações antigas mostrando a mão direita, "Mão de misericórdia", maior que a outra
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Apelo à mão divinamente socorrente por Constantino após sua conversão
- Representação em novas moedas do imperador elevando a mão para uma Mão que desce do céu
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Representação da mão de Cristo como emblema de sua proteção desejada e obtida para os fiéis e o reino dos Francos
- Reflexo no prólogo da Lei Sálica: "Viva Cristo, que ama os Francos"
- Exemplos figurados nos livros iluminados carolíngios de Carlos, o Calvo e Carlos Magno
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Representação da mão simbólica acima do pontífice celebrando a missa e do martírio de Santo Estêvão no Sacramentário de Drogo
- Identificação como a mão do Filho e não do Pai omnipotente
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Representação da mão direita sobre uma cruz abençoando o recluso Hartker oferecendo seu livro a São Galo
- Manuscrito da antiga abadia de Saint-Gall, século X
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Gesto comovente da mão do Senhor acariciando a cabeça da ovelha no sarcófago dos séculos IV ou V
- Representação do Bom Pastor no mausoléu de Galla Placida em Ravena, século V
III. O rito da imposição das mãos
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Antiguidade do gesto ritual da imposição das mãos
- Menção na Génese com Isaac impondo as mãos a Esaú e Jacob
- Gestos análogos representados em monumentos egípcios
- Participação em iniciações aos mistérios de cultos pré-cristãos na Ásia, Europa e África
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Prática constante de Jesus impondo as mãos para abençoar e curar nos Evangelhos
- Continuação do gesto pelos Apóstolos após sua perda
- Ingresso na primeira liturgia dos sacramentos e cerimônias de bênção
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Base do rite numa realidade física invisível de emanação de fluido magnético pelos dedos
- Crença antiga na concentração e derramamento do influxo divino recebido do céu
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Representação iconográfica cristã do influxo divino como radiação saída da mão de Cristo
- Formas de raios direitos, quebrados como relâmpagos ou ondulados como águas correntes
- Profecia de Habacuc sobre os raios saindo de suas mãos
- Extensão deste simbolismo aos raios saindo das mãos da Virgem Maria na "Medalha Milagrosa"
IV. A mão abençoadora e a mão omnipotente do Cristo
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Manutenção da mesma favorabilidade na simbolística figurativa do Senhor Jesus Cristo durante a Idade Média
- Representação frequente em construções monásticas românicas, como na abadia de Sainte-Marie-aux-Dames em Saintes
- Aparição em chaves de abóbada de santuários ou salas conventuais, como na abadia poitevina de La Reau
- Representação da mão abençoadora do Salvador sob o grande nimbo em amêndoa no batistério Saint-Jean de Poitiers, século XII
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Ubiquidade da representação da mão nos séculos seguintes
- Mostra da ferrada do prego que a transpassou na cruz, com raios ou fluxos saindo de cada dedo
- Exemplo no tríptico de Notre-Dame de Chartres: a mão ao serviço do coração
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Ampla utilização em iluminuras, esmaltes, marfins, bordados eclesiásticos, ourivesaria religiosa e escultura monumental
- Menção especial às patenas dos cálices
- Reprodução da mão do Salvador esculpida no século XV na capela conventual dos Carmes do Martray em Loudun
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Representação da mão como emblema da omnipotência e do império universal de Cristo
- Sustentação das sete estrelas apocalípticas ou do globo terrestre encimado por sua cruz
- Raridade da separação da mão da imagem completa de sua pessoa
- Exemplo em iluminura de manuscrito do século XII com as sete estrelas reunidas como flores de fogo
V. O Dedo de Deus
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Frequente referência da expressão "Digitus Dei est hic" a Cristo e ao Pai omnipotente
- Implicação primária de ação e poder rather than bênção
- Uso pelos encantadores do Faraó no Livro do Êxodo para descrever os prodígios de Moisés
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Comentário de Tertuliano citando esta passagem
- Interpretação da "virtude do Criador" como indicando "poder na fraqueza"
- Identificação por Cristo do "dedo de Deus" com a virtude divina, referindo-se a seu próprio reino
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Requisitos iconográficos para a mão que interpreta o "Digitus Dei est hic"
- Mão direita com apenas o indicador estendido, outros dedos recolhidos, em gesto de comando imperativo
VI. A mão maldita
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Oposição entre as mãos divinas e as mãos amaldiçoadas de origem ou poderes diabólicos
- Menção às "Mãos de Glória" ou "Mão de Gaure" usadas na evocações satânicas na feitiçaria
- Requisito de proveniência de cadáver de enforcado ou suicida, secagem com ervas e drogas mágicas
- Uso como castiçal para vela satânica de cera virgem e substância humana
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Menção à "Mão de São João" de grupos de ciganos e nómadas
- Talismã talhado em forma de mão numa raiz de urze durante a noite de São João
- Uso para enfeitiçar balas de rifle e outros fins
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Referência a mãos maléficas representadas com indicador e médio estendidos em forquilha
- Gestos de maldição
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Menção às pequenas mãos obscenas da herança greco-romana
- Distinção necessária para evitar confusão com emblemas religiosos sérios