CHARBONNEAU-LASSAY, Louis. Le Bestiaire du Christ. Paris: Desclée de Brouwer, 1934
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A perpetuação das formas antigas na emblemática cristã
- A apropriação de figuras emblemáticas das religiões pré-cristãs pela jovem Igreja
- A conservação dos sentidos alegóricos originais na aplicação aos dogmas cristãos
- A manutenção das formas convencionais já estabelecidas
- A continuidade formal com a arte romana e grega
- Exemplos: o golfinho-Cristo das Catacumbas idêntico ao da arte palacial e das fontes romanas; o golfinho-fiel semelhante aos que seguem Afrodite; a âncora com as formas dos templos de Netuno/Poseidon ou das trirremes; o centauro, o grifo, o hipocampo e o hipogrifo mantidos como na arte greco-romana
- A conversão restrita à ideia (alma), preservando o corpo do emblema
- A fixação e cristalização dos emblemas em atitudes hieráticas
- A águia representada com asas estendidas ou nobremente erecta
- O leão deitado em atitude de esfinge ou passante ("rampante" na heráldica)
- O cordeiro conforme o sentido que encarna: erecto com cruz ou estandarte, vítima imolada, ou sobre o livro dos mistérios
- A permanência da característica essencial do signo através das variações artísticas dos séculos
- Os exemplos dos quatro Animais das visões de Ezequiel e São João (Homem, Leão, Touro, Águia)
- A sua recognoscibilidade e mensagem invariável desde a arte merovíngia, bizantina, românica, ogival, iluminuras (Apocalipse de Saint-Sever, Jean Fouquet) e vitrais (Vincennes)
- A imutabilidade da sua influência sobre o espírito dos místicos
- A apropriação de figuras emblemáticas das religiões pré-cristãs pela jovem Igreja
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A fixidez das regras no emprego dos emblemas
- A codificação perfeita da Heráldica senhorial e profana a partir do final do século XII
- A posse de uma linguagem própria de precisão perfeita e regras absolutas em meados do século XIII
- A sua arte prestigiosa, regulada por um código firme e surpreendentemente variada
- A penetração e conquista da Heráldica pela Emblemática cristã
- O papel da numismática (decoro monetário) na Alta Idade Média para esta apropriação
- A contribuição da Heráldica para renovar aspectos de emblemas antigos, manter outros em uso e preservar interpretações secretas
- A interpenetração íntima e vital entre a Simbólica cristã e a Heráldica
- A necessidade do conhecimento da heráldica eclesiástica, nobiliárquica e corporativa antiga para penetrar a Emblemática cristã medieval ocidental
- O emprego disciplinado e não inconsiderado dos emblemas cristãos durante a Idade Média
- A regulação pela Teologia e pela Heráldica
- O respeito pela "disciplina emblemática"
- A base de autoridade dos emblemas divinos
- O suporte na autoridade dos textos sagrados e nos Padres da Igreja, segundo o professor Hippeau
- A transmissão fiel pela tradição e a constituição de uma "ortodoxia artística"
- A imutabilidade das formas essenciais do emblema uma vez fixada a ideia precisa de uma perfeição de Cristo ou de uma virtude/vício
- A codificação perfeita da Heráldica senhorial e profana a partir do final do século XII
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O dano causado à Emblemática Cristã pelo espírito da Renascença
- A Idade Média como cultivo intensivo da espiritualidade e da beleza na luz divina
- A valorização das coisas pela sua capacidade de favorecer a ascensão da alma
- A arte como radiação da alma alimentada no foco divino
- A adoção do princípio "O homem só vale no reflexo de Deus" (Léon Daudet)
- A Renascença como um recuo do Espírito
- A descida do homem para respirar o homem, afastando-se de Deus
- A substituição das "Fontes de Vida" medievais por vasos de filosofia puramente humana
- O lema "RAISON PARTOVT" em Poitiers como símbolo do novo tempo
- A glorificação da beleza material e o princípio do Orgulho na arte renascentista
- A afirmação de Émile Mâle sobre o orgulho como princípio oculto: "o homem basta-se a si mesmo e aspira a ser um deus"
- A eclosão simultânea do protestantismo glacial e da invasão de um neo-paganismo na arte católica
- O declínio e morte do simbolismo medieval
- A avaliação de Émile Mâle: o simbolismo como alma do arte do século XIII; o fechamento do mundo de pensamentos dos velhos teólogos e artistas; o definhamento e morte dos antigos símbolos
- A perda da soma inapreciável de ideias nutritivas e poder espiritual que a Emblemática oferecia
- O efeito da "frieza" satânica (Santa Teresa de Ávila) sobre a arte religiosa
- As consequências específicas para os emblemas
- O desaparecimento de muitos emblemas das fórmulas habituais da arte
- O esquecimento dos verdadeiros sentidos e a ampla liberdade para o arbitrário
- A mudança total das ideias alegóricas (ex: o pelicano de Cristo-Purificador para emblema principalmente eucarístico)
- A perda da grandeza hierática e a aproximação das formas anatômicas naturais (nos animais emblemáticos)
- A perda do sentido esotérico e espiritual na Heráldica, reduzindo-se a significados exotéricos e superficiais (ex: leão=força; cordeiro=doçura; serpente=prudência; fênix=imortalidade; boi=paciência; rosa=beleza)
- O esquecimento completo de outros emblemas (pantera, cegonha, corvo)
- A degradação das representações angélicas e a redução de animais (cabras, bodes, pombas, cisnes, galos) a alegorias de um sensualismo inferior, perdendo sua conexão com aspectos do Salvador
- A recuperação parcial através dos estudos de arqueologia e arte sacra desde de Caumont e Didron
- A restauração da estima pela Emblemática para uma elite de sábios e místicos instruídos
- A necessidade de um conhecimento mais exato e amplo por parte dos artistas, do clero e da elite cristã
- A função do artista em depositar, através do uso apropriado dos emblemas, focos de luz vivificante e reservas de alimento espiritual
- A necessidade de as almas estarem abertas para receber estas claridades e alimentos imateriais
- A Idade Média como cultivo intensivo da espiritualidade e da beleza na luz divina