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id da página: 8240 Byung-Chul Han – Vazio

Byung Chul Han Vazio

Chan – Byung-Chul Han – Vazio

BYUNG-CHUL HAN. Filosofía del budismo Zen. Barcelona: Herder, 2015

  • O Conceito de Substância no Pensamento Ocidental

    • Definição e origens etimológicas do conceito
      • "A substância (lat. Substantia, grego hypostasis, hypokeimenon, ousia) sem dúvida é o conceito fundamental do pensamento ocidental."
      • "Segundo Aristóteles, designa o que é duradouro em toda mudança. É constitutiva da unidade e da mesmidade do ente."
      • "O verbo latino substare (literalmente: estar debaixo), ao qual se remonta a substantia, tem também a significação de 'manter-se firme'."
      • "É inerente à substância, então, a atividade de sustentar e persistir. Ela é o mesmo, o idêntico, que, perseverando em si, se delimita frente ao 'outro' e com isso se afirma."
    • Conotação de posse e conflito na linguagem
      • "No uso normal da linguagem, ousia significa 'capital, possessão, propriedade, fazenda', ou 'propriedade rural'."
      • "Além disso, a palavra grega stasis significa não apenas 'estar', mas também 'rebelião, tumulto, cisão, discórdia, disputa, inimizade' e 'partido'."
    • Orientação para a separação e o fechamento
      • "Este pórtico linguístico do conceito de substância, que não se mostra precisamente pacífico ou amistoso, é como uma figura antecipativa em consonância com ele. A substância repousa na separação e distinção."
      • "Esta separa o uno do outro, mantém aquilo em sua mesmidade frente a isto. Assim, a substância não está orientada para a abertura, mas para o fechado."
  • O Conceito de Vacuidade (sûnyatâ) no Budismo Zen

    • Movimento de expropriação como antítese da substância
      • "O conceito central do budismo Zen, a saber, sunyata (vacuidade), representa em muitos aspectos o conceito oposto a substância."
      • "A substância está, em certo sentido, 'cheia'. Está cheia de si mesma, do próprio. Em troca, sûnyatâ representa um movimento de expropriação."
      • "Vazia o ente que persevera em si mesmo, que se aferra a si mesmo, ou se fecha em si. Afunda em uma abertura, em uma largura aberta."
    • Relação de igualdade entre vacuidade e forma
      • "O vazio não constitui nenhum princípio originante, nenhuma 'causa' primeira da qual surja todo ente, tudo o que tem forma."
      • "Nenhum desnível de ser separa o vazio da 'imanência' das coisas que aparecem. Segundo temos ressaltado muitas vezes, a 'transcendência' ou o 'totalmente outro' não constitui nenhum modelo de ser no pensamento do Extremo Oriente."
  • Representação da Vacuidade na Pintura de Paisagem de Yu-chien

    • Estética da sugestão e da suspensão
      • "Constam de insinuantes pinceladas, que se reduzem a sugerir, de certo modo, vestígios que não fixam nada. As formas representadas atuam cobertas de uma singular ausência."
      • "Parece que tudo tende a afundar-se novamente na ausência, mal esteve aí. Uma espécie de recato mantém a articulação em uma singular suspensão."
    • Compreensão recíproca e presença graciosa
      • "Em um movimento de desprendimento, oscilam as coisas entre presença e ausência, entre ser e não ser. Não expressam nada definitivo. Nada se impõe, ou se delimita, ou se fecha."
      • "Todas as figuras passam umas às outras, amoldam-se e refletem-se umas nas outras, como se o vazio fosse um 'meio de amizade'."
      • "O peculiar nesta paisagem é que o vazio não faz desaparecer simplesmente a forma especial das coisas, mas as faz brilhar em sua 'graciosa' presença. A uma presença inoportuna falta toda 'graça'."
  • A Fluidez das Montanhas no Pensamento de Dogen

    • Interpretação não metafórica da fluidez
      • "A expressão 'montanhas que fluem' não é aqui nenhuma 'metáfora'. Dôgen diria que as montanhas fluem 'realmente'."
      • "No campo do vazio, onde montanhas e rios se conjugam reciprocamente, a saber, no plano da indiferença, a montanha 'flui' em verdade. A montanha não flui 'como' o rio, mas a montanha 'é' o rio."
      • "Dôgen não fala em sentido 'próprio' nem 'impróprio'. Ele abandona o plano substancial do ser, que é o único no qual teria sentido a separação de discurso 'próprio' e 'impróprio'."
    • Descrição de uma paisagem fluida
      • "As montanhas flutuam sobre as nuvens e caminham através do céu. A culminação da água são as montanhas; o caminhar das montanhas, para cima e para baixo, produz-se constantemente na água."
      • "A água não é nem forte nem débil, nem úmida nem seca, nem está em movimento nem tranquila, nem fria nem quente, nem é existente nem não existente, não é engano nem iluminação."
  • A Visão no Campo da Vacuidade

    • Primazia do objeto e ver objetivo
      • "Aspira-se a um ver que tem lugar antes da separação de 'sujeito' e 'objeto'. Nenhum 'sujeito' há de impor-se à coisa."
      • "Uma coisa há de ser vista tal como ela se vê a si mesma. Tem que manter-se uma certa primazia do objeto antes de que o apropriasse o 'sujeito'."
      • "Há que considerar a água tal como a água vê a água. Uma contemplação perfeita produzir-se-ia pelo fato de que quem contempla, de certo modo, se fizesse 'aquoso'."
    • Compreensão recíproca e concentração no despertar
      • "O vazio é uma indiferença amistosa; ali o que mira 'é', ao mesmo tempo, mirado."
      • "O asno vê nas fontes e as fontes veem no asno. O pássaro mira a flor e a flor mira o pássaro. Tudo isto é a 'concentração no despertar'."
      • "A essência uma exerce sua força essenciante em tudo o presente, e todo ser presente aparece na essência uma."
  • A Ubiquidade da Água e a Igualdade entre Homens e Montanhas

    • Penetração da água em todos os elementos
      • "A afirmação de que há lugares aonde não pode chegar a água é uma doutrina falsa dos que não são budistas. A água penetra as chamas, o coração e o entendimento; penetra a diferença e a sabedoria iluminada da natureza no estado de Buda."
    • Identificação entre os sábios e a natureza
      • "Segundo Dôgen, a água é corpo e espírito dos sábios. Para os sábios, que vivem com profundidade nas montanhas, estas 'são' seu corpo e espírito."
      • "Há que recordar que as montanhas e os sábios igualam-se entre si. A exercitação há de consistir em que os monges, que vivem nas montanhas, se façam montanhosos, em que assumam o aspecto da montanha."
  • A Visão Cotidiana do Vazio versus a Magia

    • A fluidez como trivialidade cotidiana
      • "Na autêntica verdade não há nem magia, nem mistérios, nem milagres. Quem crê que os há vai pelo caminho errôneo."
      • "Há, no entanto, no Zen todo tipo de peças de magia ... Mas isso não é magia, nem algo prodigioso, mas uma trivialidade cotidiana."
  • Espontaneidade e Ausência de Identidade Rígida

    • O exemplo do velho ciruelo
      • "O velho ciruelo ... é sumamente espontâneo. Floresce muito de súbito e dá frutos por si mesmo. Às vezes faz a primavera e às vezes o inverno. Às vezes busca um vento furioso e outras vezes uma chuva intensa."
      • "Às vezes é a testa de um monge simples e às vezes o olho do eterno Buda. Em ocasiões aparece com ervas e árvores e outras vezes é um puro aroma."
    • Discurso fluente e paisagem fluente
      • "Não estamos aqui ante um discurso 'poético', a não ser que 'poético' designe um estado de ser no qual se afrouxa a grampo da identidade, a saber, o estado de uma indiferença especial, no qual o discurso, de certo modo, 'flui'."
      • "No campo do vazio as coisas se liberam da cela isolada da identidade em uma unidade de tudo, e se liberam na liberdade e espontaneidade de uma compreensão recíproca."
  • A Natureza "Monocroma" do Vazio

    • Indistinção e compenetração
      • "Há neve sobre as panículas do canavial na margem; é difícil distinguir onde começam estas e onde acaba aquela."
      • "Neve nos olhos, neve nas orelhas: exatamente assim é quando alguém se demora na região do monocromo (isto é, do vazio)."
    • O vazio como espaço de respiração das formas
      • "O 'monocromo' do vazio certamente 'mata' as cores, que se aferram a si mesmas. Mas esta morte as vivifica ao mesmo tempo. Elas ganham em amplitude e profundidade, ou em silêncio."
      • "O branco ou o vazio é o estrato profundo, ou o invisível 'espaço de respiração' das cores ou das formas."
  • A Não Aniquilação do Ser Particular pelo Vazio

    • A afirmação do Mestre Yunmen
      • "A verdadeira doutrina não aniquila o que é. O verdadeiro vazio não é distinto do que tem forma."
    • A imagem da lua refletida na água
      • "A pessoa iluminada é como a lua, que se reflete na água (literalmente: mora, habita): a lua não se molha, e a água não é perturbada."
      • "A lua inteira e o céu inteiro habitam em uma gota de orvalho de um talo de erva, em uma só gota de água."
      • "A iluminação não rompe o ser particular, o mesmo que a lua não perfura a água. O ser particular não perturba o estado de iluminação, da mesma maneira que uma gota de orvalho não molesta o céu e a lua."
  • O Vazio como Afirmação Suprema do Ser

    • Negação apenas da delimitação substancial
      • "O vazio ou o nada do budismo Zen não são uma simples negação do ente, tampouco nenhuma fórmula do niilismo ou do ceticismo. Constitui, mais bem, uma afirmação suprema do ser."
      • "O negado é somente a delimitação substancial, que gera tensões opostas."
    • A coisa como morada do mundo
      • "A abertura, a afabilidade do vazio, significa também que o ente respectivo não apenas está 'no' mundo, mas que em seu 'fundo' 'é' o mundo, e em seu estrato profundo 'respira' as outras coisas, ou lhes prepara sua morada."
      • "Assim pois, em uma coisa 'habita' o mundo inteiro."
  • O Cântaro de Água: Kôan 40 do Mumonkan

    • A resposta substancialista do monge do assento mais alto
      • "O monge do assento mais alto disse: 'Não o podemos chamar sapato de madeira'."
    • O gesto de esvaziamento do cozinheiro Isan
      • "Este derrubou com o pé o cântaro de água e saiu dali."
  • A Análise do Cântaro por Martin Heidegger

    • A essência do cântaro como dom da efusão
      • "O dobro apreender do vazio repousa no verter. ... A essência do vazio que apreende está congregada no escanciar."
      • "Chamamos o dom à congregação do dobro apreender no verter, que, como conjunção, constitui pela primeira vez a essência plena do escanciar."
    • O cântaro como congregação do Quadrante (Geviert)
      • "No dom da efusão se demoram de maneira diferente em cada caso os mortais e os divinos."
      • "No dom da efusão se demoram a terra e o céu. Na essência do cântaro se demoram a terra e o céu."
  • Comparação entre a Coisa em Heidegger e a Vacuidade no Zen

    • O isolamento da coisa em Heidegger
      • "Cada coisa congrega 'solitária para si' terra e céu, divinos e mortais. Não conhece nenhuma 'vizinhança'. Não há nenhuma proximidade entre as coisas. As coisas não moram ou habitam umas dentro das outras."
    • A proximidade amistosa no vazio do Zen
      • "Em troca, o vazio do budismo Zen funda uma proximidade de vizinhança entre as coisas. Estas falam entre si, refletem-se umas nas outras."
  • O Mundo como Jogo de Espelhos do Quadrante

    • A expropriação apropriadora
      • "Cada um dos quatro, dentro de sua união, está expropriado para um próprio. Este expropriante apropriar-se é o jogo de espelhos do quadrante."
      • "Cada um dos quatro reflete-se de sua maneira na essência dos outros restantes. E ali cada um reflete-se de sua maneira no seu próprio dentro da simplicidade do quadrante."
    • A impossibilidade de fundamentação do mundo
      • "O mundear do mundo nem pode explicar-se por outro, nem pode fundar-se desde outro. ... Algo assim como causa e fundamento é inadequado ao mundear do mundo."
  • A Interioridade e a Referência ao Divino em Heidegger

    • A figura do Deus desconhecido
      • "O Deus é ... desconhecido e, no entanto, é a medida. Mais ainda, o Deus que permanece desconhecido, enquanto 'se' mostra como o que ele é, tem que aparecer como o que permanece desconhecido."
    • O eixo teológico oculto
      • "Tem-se a impressão de que Heidegger faz circular o 'anel' do mundo em torno de um oculto eixo teológico. Este singular movimento circular faz surgir outra interioridade no centro 'vazio'."
  • A Apropriação Heideggeriana do Vazio

    • O vazio como abertura determinante do ser
      • "O centro vazio é o que determina, cunha e sustenta o traçado das paredes e suas margens. Estes não são senão a irradiação daquilo originariamente aberto que faz essenciar sua abertura."
    • O vazio como produção e congregação
      • "O vazio está aparentado precisamente com o peculiar do lugar, e por isso não é uma ausência, mas um produzir."
      • "Vaziar o vaso significa: congregá-lo como o continente que ficou livre como tal. O vazio não é puro nada. Tampouco é nenhuma carência."
  • O Lugar como Ponta de Lança Congregadora

    • Definição heideggeriana de lugar
      • "Originariamente a palavra 'lugar' (Ort) significa a ponta da lança. Nela conflui tudo. O lugar congrega para si o mais alto e supremo."
    • A interioridade congregadora versus a afabilidade dispersa
      • "Ao vazio do budismo Zen falta toda 'ponta'. Ali o vazio não domina como aquele centro congregador que 'tudo busca para si'."
      • "O vazio do budismo Zen está mais 'vazio' que o de Heidegger. ... Leva inerente um recobrimento singular, um 'recobrimento sem interioridade', um 'temperamento sem voz'."