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id da página: 7917 Xivaísmo de Caxemira – Abhinavagupta – Vias da Liberação Abhinavagupta

Abhinavagupta Vias

Xivaísmo de CaxemiraAbhinavagupta – Vias da Liberação


Trecho das páginas 106-110 de la traduction de Lilian Silburn et André Padoux

140. Enquanto o Onipresente manifesta a certos sujeitos conscientes sua própria essência em sua plenitude, a outros, Ele a manifesta progressivamente.

141. A manifestação de sua essência que é a realidade imanente a toda coisa, tal é para os seres limitados o conhecimento supremo. Qualquer outro conhecimento é inferior e apresenta múltiplos aspectos.

142. Este [conhecimento, supremo ou outro], se manifesta segundo uma via direta (saksat) e segundo vias indiretas que procedem dele e se diferenciam de maneiras variadas.

143. Cada uma destas diversas vias se subdivide segundo que, em relação a si mesma ou às outras, ela é condicionante ou condicionada, segundo que se apresenta de forma total ou parcial, segundo que opera de forma mediata ou imediata.

144. A via do conhecimento não é considerada [por nós] como ignorância, mas como conhecimento sutil. A via suprema, [a de Shiva], ela, é [feita de] vontade (iccha).

145. As modalidades, que são ‘via’ e ‘objetivo’ (upayopeyabhavah), referem-se a um erro próprio do conhecimento grosseiro inerente à energia de atividade, única causa de laço e de libertação.

146. O que fulgura imediatamente, em toda evidência, na aurora do conhecimento (adya), na pura consciência global de si, no único domínio indiferenciado, é o que se proclama vontade.

147. Do mesmo modo que um objeto aparece claramente àquele que tem os olhos bem abertos sem que ele tenha que visar a um objetivo, assim [se revela] a certos seres extraordinários a natureza de Shiva.

148. Mas se, por uma busca progressiva baseada de forma repetida em uma certeza à base de vikalpa, se acede a uma tomada de consciência global (paramarsa), esta [via] é conhecida como via do conhecimento.

149. Por outro lado, [o meio] que opera em relação à realidade exterior [e toda objetiva] produzida pela imaginação construtora é o que se considera tradicionalmente como sendo a via da atividade. No entanto, a diferença [entre estas vias] não implica nenhuma quanto ao objetivo: a libertação (apavarga).

150-151. Com efeito, como diz o venerável Gamashastra, “a atividade não difere realmente do conhecimento que, quando se desdobrou (rudha), se conclui em yoga. O yoga não é outro [que o conhecimento], a atividade não é outra que ele. Assim, a intuição dinâmica em ato (mati), que se elevou ao cume dos níveis da realidade, é designada pelo termo ‘atividade’ quando as impregnações (vasana) de nossa própria consciência empírica (citta) se acalmaram.”

152-153. As impregnações de nossa própria consciência são devidas às impurezas de ilusão e de ação; a intuição (mati), que tem como natureza própria a consciência, é causa de sua desaparição, ela repousa (adhishayini) no conjunto dos níveis do real, a começar pelo corpo. É ela, a própria atividade, e [portanto] o yoga, que consiste em dissolver esses níveis na Consciência.

154. Na verdade, mesmo na atividade ordinária, a ideia de se mover, interior primeiro, se torna ação de ir quando ela penetra no corpo, no espaço e nos órgãos motores.

155. O que se chama atividade não é, portanto, outra coisa senão o conhecimento. Desde então, se pôde dizer com razão [no sloka 22] que o conhecimento somente é apto a conferir a libertação.

156. A libertação (moksa) não é outra, na realidade, senão o desdobramento de nossa própria essência, esta não sendo ela mesma outra senão a consciência de Si.

157. As energias, atividade, [conhecimento e vontade], não se acrescentam à consciência, já que, logicamente, nada existe que seja sem consciência (asamvit) e que não se pode colocar ou sustentar a existência [fora da consciência] de um sujeito portador de propriedades (dharmin) [ou seja, portador dessas energias].

158. Segundo o ensinamento do Supremo Senhor, não há com efeito — diferentemente do [que diz] o sistema de Kanada — de [sujeito] portador das propriedades características (dharmarupanam ashrayah) das energias.

159. Se as três energias, conhecimento, atividade e vontade, fossem diferentes de [Shiva detentor da energia], disso resultaria que nossa afirmação, segundo a qual ‘há apenas um único Shiva’, seria sem realidade:

160. Desde então, o que é consciência é total liberdade e, na medida em que esta se diversifica, ela leva a múltiplas energias.

161-162. A libertação é o desdobramento do Si (atmapratha). Impossível, portanto, dizer que aquele que possui o conhecimento pode não ser liberado com o pretexto de que de uma causa não nasce sempre um efeito. O conhecimento e a libertação não aparecendo [a nossos olhos] como ligadas por uma relação necessária de causa e efeito, este argumento é a ser rejeitado.

163. A atividade é, por essência, conhecimento. Mas, como ela traz em si mesma tudo o que é ‘grosseiro’, nela se percebe a diversidade [das coisas].

164. Os meios da via da atividade (kriyopaya) se dividem em meios perceptíveis e em meios exteriores (grahyabahya) que, dividindo-se e subdividindo-se, são inumeráveis.

165-166. Assim se refuta a afirmação daqueles para quem, da diversidade das vias resultariam diversas sortes de libertação. A libertação permanece uma apesar da diversidade possível das causas — destruição, desaparecimento, decadência — que põem fim à impureza ou à energia que a anima: pouco importa a maneira pela qual se quebra um pote ou outro [objeto, o resultado é o mesmo].