Lingam e Yoni

PHILIPPE LAVASTINE. — Permitam que assinale outro aspecto desse símbolo, que se esquece com demasiada frequência: nessa representação, o falo sai de um yoni, de um órgão feminino, em vez de nele entrar. Isso representa, ao mesmo tempo, o nascimento do Filho; é, num estilo muito mais alegórico, Ísis com Hórus, ou, entre nós, a Virgem com o Menino. Outro exemplo: que ledes em um desenho que figura o sol nascente? O homem ocidental moderno dirá: “Vitória do dia, vitória do sol nascente!” A Índia diz: “Vitória da noite. A noite deu à luz o sol.” É a vitória de uma mãe. Esse lingam que sai do yoni é a vitória da mãe, e, pela manhã, cada hindu, em sua liturgia, celebra a vitória da noite. Já vistes um recém-nascido: é lastimoso. É essa a sua vitória? Não, é a vitória da mãe. De modo que esse pensamento simbólico, tão profundo, repousa também sobre fatos observados. Encontram-se por toda parte esses lingam e esses yoni; é preciso compreender o que isso quer dizer. O comércio entre o homem e Deus é um comércio de potlatch, não é um comércio de interesse.

[René Guénon et l’actualité de la pensée traditionnelle. Actes du Colloque International de Cerisy-la-Salle: 13-20 juillet 1973]


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