Preocupamo-nos muito com o conceito de Eu do indivíduo, mas raramente com o conceito de Eu do grupo. As famílias também, por vezes, desenvolvem egos protuberantes. E quanto às nações...
O nacionalismo é uma manifestação do ego de um grupo, frequentemente exacerbado a um ponto que as condições sociais negam ao indivíduo.
Mesmo associações, clubes e, particularmente, partidos políticos desenvolvem um conceito de Eu, com os resultados lamentáveis e ridículos que acompanham todas as manifestações desse conceito.
Contudo, não há realidade em tais fenômenos, a não ser a realidade última, sem a qual os fenômenos não poderiam manifestar-se.
Mas assim como sempre houve famílias que escaparam ao desenvolvimento de tal conceito, e associações, clubes, até mesmo partidos que são apenas tais, o nacionalismo é apenas um crescimento esporádico e nem sempre existiu em nossa ou em qualquer outra civilização.
Muitas pessoas orgulham-se dessa manifestação e a consideram uma virtude, assim como algumas pessoas cultivam o orgulho como virtude: les primaires civilisés, les civilisés primaires.
Talvez, se formos capazes de transcender o egoísmo do grupo, possamos mais facilmente encontrar o caminho para transcender o egoísmo do indivíduo, pois um e outro são conceitos idênticos e, ambos, destituídos de realidade.