Tempo

PHILIPPE LAVASTINE. — Interrogou-se frequentemente pandits na Índia sobre a questão do tempo. Parecia tão complicada. Um dia, um pandit disse: «Yuga, Yoga. É a mesma coisa». É a mesma palavra que significa «unir». Mostrou-se textos antigos onde se observa que um homem ainda não entrado no yoga vive no Kali Yuga. Assim que se começa a entrar no yoga, começa-se a sair do Kali Yuga, e percorre-se as idades de bronze, de prata e até a idade de ouro, segundo o simbolismo alquímico. É evidente que um verdadeiro Brahmane se encontra sempre no Satya Yuga. Não se diz «idade de ouro», na Índia, mas «idade do que é», ou «idade da Verdade»: Satya.

No que concerne à duração dos ciclos, trata-se de grande complicação. Entrega-se às jogadas pitagóricas de números, mas sempre na categoria do «assim se ri», na esfera da anedota, da hipérbole mitológica. Os relatos dos Purânas falam de milhares de mundos. Isso visa desconcertar e, sutilmente, banalizar a polêmica. «O que está aqui está em outro lugar, mas o que não está aqui não está em nenhum lugar». Não existe o temporal; não existe o geográfico.

[René Guénon et l’actualité de la pensée traditionnelle. Actes du Colloque International de Cerisy-la-Salle: 13-20 juillet 1973]


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