PHILIPPE LAVASTINE. — Não se poderia falar também de uma contra-iniciação universitária? Poder-se-ia dizer — embora isso não se perceba à primeira vista — que a universidade é o primeiro grau da contra-iniciação, no sentido em que São Bernardo, em seu De gradibus humilitatis et superbiae, nos diz: “Há duas escadas: a do orgulho, que conduz à perdição, e a da humildade, que conduz à salvação.” E ele faz uma análise da palavra curiositas, que é, segundo ele, o primeiro degrau da escada da perdição.
A partir do instante em que deixo de ocupar-me daquilo que me concerne, torno-me um elemento perturbador; é a perdição que começa — unicamente pela curiosidade. E um homem como Gandhi estava consternado com os estragos causados pelas universidades britânicas na Índia. Ele dizia: “Universities, schools of the dissipation of the mind.”
A iniciação tem por fim reunir, e “aquele que não reúne comigo, dissipa”. Assim, a contra-iniciação começa por todo o nosso sistema de ensino, desde que a escola foi separada da “pagode”.
[René Guénon et l’actualité de la pensée traditionnelle. Actes du Colloque International de Cerisy-la-Salle: 13-20 juillet 1973]