NA MÃO DE DEUS: QUENTAL E UNAMUNO

Na mão de Deus, na sua mão direita ANTERO DE QUENTAL

Cuando Señor nos besas con tu beso que nos quita el aliento, el de la muerte, el corazón bajo el aprieto fuerte de tu mano derecha queda opreso.

I en tu izquierda, rendida por su peso quedando la cabeza, á que revierte el sueño eterno, aun lucha por cojerte al disiparse su angustiado seso.

Al corazón sobre tu pecho pones y como en dulce cuna allí reposa lejos del recio mar de las pasiones,

mientras la mente libre de la losa del pensamiento, fuente de ilusiones, duerme al sol en tu mano poderosa.

Com data 19 de Setembro de 1910 aparecia publicado um soneto do pensador (filósofo, poeta, humanista, filólogo, professor) Miguel de Unamuno, na revista A Águia. Era o primeiro número do ano 1911, dia 1 de Janeiro. O Soneto aparece junto a um artigo sobre o “Natal e novo ano” de Leonardo Coimbra (aliás uma pequena escrita digna de estudo).

No início do soneto, na margem direita uma frase: “Na mão de Deus, na sua mão direita”. Quental. O soneto de Unamuno intitula-se: “En la mano de Dios”. O Soneto esta dentro do poemário Rosario de sonetos líricos. Trata-se do soneto LXXVI, no livro aparece com as indicações de lugar e data: S. 17 X 10 (Salamanca, 17 de Outubro de 1910). A questão da data é entendido pelos especialistas como uma forma de articulação “paratextual”, como os títulos. Assim o título do Poema não é colocado ao acaso. E isto não só porque faz referência ao poema de Quental – esta matéria abordar-se-á mais tarde. Neste segundo poemário praticamente em quase todos os poemas os títulos “constituem um sintagma ‘paratextual’ presente em todos os sonetos”

Manuel Lázaro


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