Tempo Mítico Grego e Tempo Histórico Judaico-cristão

A Distinção entre o Tempo Mítico Grego (Angústia da Tragédia) e o Tempo Histórico Judaico-cristão (Esperança Bíblica) no Pensamento Escatológico de António Quadros Samuel Dimas (pp. 76-77)

Mas como destaca António Quadros na sua filosofia estética, à bidimensionalidade helénica ideal-real, divina-titânica, e à bidimensionalidade românico--gótica céu-inferno, fé-razão, Deus-Homem, segue-se a tridimensionalidade da arte barroca ibérica que assume a natureza como o lugar mediador do movimento e assume a ação do homem no mundo como elemento dinâmico de espiritualização existencial. A redenção divina do Universo é feita em colaboração com a criatura humana. A simbólica do barroco manifesta a síntese do natural e do sobrenatural, do humano e do divino.

O barroco atlântico ou barroco aquático, como lhe chama António Quadros, expresso na Catedral de Santa Maria de Belém, nas capelas imperfeitas da Batalha e no convento de Tomar, cuja simbólica se fundamenta na tensão entre o cósmico e o transcendente e inclui as diversas modalidades de movimento, como as da paixão e do impulso vital, proporciona a consciencialização da missão navegadora, planetária, universal e movente do homem, religando o Oriente e o Ocidente, numa marcha espiritual para o futuro, integrada no evolucionismo psíquico e cósmico. É a arte universal e trinitária que simboliza a possível redenção do homem e do cosmos, compreendendo a potencialidade evolutiva da Natureza e do Homem. É a arte cristã da representação visível do Templo Universal do Espírito na dinâmica das três ordens do movimento criador e redentor: a Humana, a Divina e a Cósmica: «O Cristo promete uma redenção, uma reintegração que não é a da Morte, mas a da Vida, que não é apenas a do homem, mas também a da Natureza, através do Homem.»

Em contraposição com o movimento cíclico e perpétuo do necessitarismo dualista e mítico da tragédia, no movimento futurante e teleológico da redenção universal, o Homem também é colaborador e participante. É um ser ativo, dinâmico e sábio, que toma consciência do seu lugar nessa pluralidade do histórico dinamismo cósmico, que pela simbólica do barroco marítimo português no Restelo de Belém, se assume triplamente como Natureza, Humanidade e Templo do Espírito.

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