Árvore e Serpente

Um motivo recorrente na arte tradicional é a árvore do mundo, o axis mundi, envolto por uma serpente, cujas espirais representam a força cósmica ou poder animador do universo; simbolizam os ciclos da existência e o fluxo das formas, sendo ao mesmo tempo generosas e perigosas, como a dança extática de Kālī sobre a forma inerte de Shiva. As voltas da serpente sugerem um movimento dinâmico, ascendente ou descendente, conferindo-lhe um sentido benéfico ou maléfico; por vezes, o eixo vertical aparece entrelaçado por duas serpentes, como no conhecido caduceu, que tem seu equivalente indiano no bastão brâmane (Brahma-danda) e no motivo da kuṇḍalinī, com a coluna suṣumnā ladeada pelos dois "canais" ou nāḍīs, piṅgalā e iḍā. O caminho "celestial" (deva-yāna, Janua Coeli) é assim representado pelo eixo central ou "canal coronal", que conduz para cima, através do "portal solar", à libertação dos estados saṃsáricos ou do ciclo serpentino da existência, culminando na identidade suprema com o Princípio Universal. Mas o mesmo eixo pode ser percorrido no sentido inverso, tornando-se então o caminho "infernal" (pitṛ-yāna, Janua Inferni), oposto ao celestial, levando a estados inferiores e até à desintegração total do ser consciente em seu limite extremo, pois o único "antípoda" da possibilidade da Identidade Suprema é, logicamente, a aniquilação completa. (Whitall Perry)

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