"Esta descida direta do ser ao longo do eixo vertical é representada notavelmente pela 'queda dos anjos'; obviamente, tratando-se de seres humanos, isso só pode corresponder a um caso excepcional" (Guénon: Le Symbolisme de la Croix, p. 186). Mas há outra implicação nos "anjos caídos", relacionada ao que a terminologia cabalística chama de "cortar as raízes das plantas", referindo-se ao politeísmo em seu sentido verdadeiro — a invocação de qualidades divinas independentemente do Princípio, o que só ocorre por um desvio na tradição (contrariando o pensamento evolucionista, que supõe um "monoteísmo puro" surgindo de um politeísmo mais "primitivo"). Um "anjo" visto sob essa ótica retém pouco mais que a sombra invertida de seu verdadeiro ser, e "nessas condições, aquele que crê estar invocando um anjo corre grande risco de ver um demônio aparecer diante dele" (Guénon: Études Trad., 1946, p. 346). (Whitall Perry)
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